sexta-feira, 23 de maio de 2008

Recordar é Viver...

Recordar é viver e este blog retrata a minha vida certo? então nada melhor que isso para o post de hoje...
Lembro-me quando ainda vivia na minha tenra idade e ainda n tinha ideias marxistas na cabeça nem problemas com que me preocupar, a idade em que tinha as minha brincadeiras ingénuas.
Como qualquer puto eu não dava valor ao dinheiro, para mim o dinheiro não passava de um bocado de papel com que se fazia trocas e trocas até que caísse um doce na minha mão. Naquela altura o dinheiro ainda era "capim" e eu sem pedir autorização a minha mãe levei 500 escudos da carteira dela, 500 escudos são hoje se calhar 2.50 euros, mas o dinheiro tinha muito mais valor naquela altura. O que é que um pai ou uma mãe iriam pensar sabendo que o filho levara uma nota de 500 escudos, pensariam que já estava metido nos maus vícios, tabaco ,drogas, álcool, essas coisas... Mas não, não foi isso que aconteceu.
Quando peguei na nota fui com ar quase superior até ao café ao lado, abri a porta de uma maneira para parecer "cool", e entrei com a minha maior "pausa" possível.
Chego ao balcão, tiro a nota do bolso e com um violento "clap" colo a nota ao balcão de mármore. naquela altura eu ainda não chegava ao balcão por isso a imagem era bastante ridícula, já que o senhor Zé Vaz so via uma mão pequena e branca com uma nota na mão.
- eu quero uma pastilha, e é já!! (uma pastilha custava 5 escudos na altura)
O senhor Zé olhou para todos os lados para verificar se era uma partida ou não e olhou para mim e agarrou na nota.
O senhor Zé nem me deu o troco de 495 escudos mas deu-me a pastilha. Essa teria sido a minha primeira compra autónoma e sentia-me extremamente orgulhoso.
ao final do dia o meu pai sempre bebia umas cervejas no Zé Vaz e nesse dia eu fui com ele.
- Epá. Ó Nuno, o teu filho hoje veio aqui pedir me uma pastilha com uma nota de 500 paus, foste tu que lha deste?
o meu pai olhou para mim com um olhar aliviado, e ao mesmo tempo de zangado e disse para mim:
- Não estou triste contigo mas estou muito desiludido.
foi uma das piores coisas que me disseram na vida, aquele olhar triste do meu pai, aquela admiração que tinha, e ele estava desiludido comigo.
nesse dia eu próprio me pus de castigo.

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