sábado, 28 de junho de 2008

caminho até além...


A luz cegava os olhos, nunca tinha sentido o frio destas luzes brancas, 5 minutos a espera, até que um passo surgiu, mais um e outro e outro. Finalmente o corpo deslocou-se a uma velocidade constante, os passo ecoavam pelas paredes do beco, os pesados sons da mente atiçavam a solidão a sair deste sítio, andara 50 metros, parecia uma eternidade, mais luzes, mais frio, agarrava agora as minhas mangas mesmo nas pontas. Mais um passo, outro e mais um, ideias estão a fluir, situações a serem criadas e no final outra vez esquecidas, é mesmo assim, nada fica para sempre, a cidade parecia tão melancólica, sem a algazarra da praça, zinco tapava as obras de meses, reflectiam a luz branca da padaria.
A avenida tinha se alongado, nem um carro passava, nem uma pessoa ameaçava aparecer, tinha a cidade toda para mim. No horizonte havia uma espécie de nevoeiro de pó da leve brisa que passava. A gravana já tinha chegado, sentia-se na cara, estava frio, um frio agradável mas que tornava o ambiente mais sinistro ainda. Mais alguns passos se tinham passado, passava-se por mais alguns caixotes de lixo mal cheirosos, um gato miava no fundo do prédio, coitado, de certo quer a mesma coisa que eu...
aquela rotunda era o ponto mais tentador da cidade, agora o mais arrepiante. Quase lá, faltam mais alguns passos, vou conseguir, sem voltar a trás.

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